quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Alguma coisa está fora da ordem...

Na minha hora de almoço, fui até uma casa lotérica prá fazer um depósito.
Sim, um depósito, porque hoje faço depósitos e pago contas na casa lotérica, recarrego meu telefone no supermercado, compro papel higiênico na farmácia, chicletes, doces, sorvetes e fone de ouvido nas bancas de jormais, tomo um cafezinho e como um pedaço de bolo na livraria...
Fui andando e pensando nisso.
Me lembrei de uma música do Caetano...

Mas, voltando, cheguei na lotérica pro tal depósito.
Fila monstro. Ou monstra. Fiquei lá, debaixo de sol.
A fila avançava uns dez metros na rua, mas era muito menor que a fila no banco. Melhor ficar ali mesmo.

Bem na minha vez (bem na minha vez mesmo, quando cheguei na boca do caixa!) a caixa avisou que o sistema parou.
Olha a minha cara de alegria.

Na fila, ouvi uma briga entre 2 namoradas.
Uma dizia:
- vc nem falou prá ela que tava comigo.
A outra:
- como não? Falei: essa é minha sogra e essa é minha mina!

Como cantava Caetano...
"Alguma coisa está fora da ordem..."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Banheiro Feminino

Geralmente não coloco aqui, nesse blog, textos enviadas por amigos e tal, porque o objetivo desse blog é registrar essas estorinhas que escrevo prá relaxar. Mas algumas vezes sucumbo (eita palavrinha estranha! Me lembra coisa nefasta, tipo: catacumba, súcubus...) a uns textos irresitíveis, que falam tanto com meu "EU", o meu interior, que até meus rins respondem. E aí, quase tenho que correr pro banheiro, de tanto rir. Esse, por exemplo, poderia ter sido escrito por mim, já que passei por essa situação - igualzinha, sem tirar nem por - porém foi enviada por meu amigo Alencar.
Mas chega de enrolação.
Vamos ao texto.
O grande segredo de todas as mulheres com relação aos banheiros é que quando pequenas, quem as levava ao banheiro eram suas mães. Elas ensinavam a limpar o assento com papel higiênico e cuidadosamente colocavam tiras de papel no perímetro do vaso e instruíam:
"Nunca, nunca sente em um banheiro público" E, em seguida, mostravam "a posição", que consiste em se equilibrar sobre o vaso numa posição de sentar sem que, no entanto, o corpo entre em contato com o vaso. "A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, super importante e necessária, e irá nos acompanhar por toda a vida. No entanto, ainda hoje, em nossa vida adulta, "a posição" é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está estourando.
Quando você TEM que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Bradd Pitt deve estar lá dentro. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".
Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar. Você, então verifica cada cubículo por baixo da porta para ver se há pernas. Todos estão ocupados. Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo. Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área.. o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança em teu corpo, sem contar que você é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais você não usa, mas que você guarda porque nunca se sabe... Mas, voltando à porta... Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca "na posição". Alívio...... AAhhhhhh.....finalmente... Aí é quando os teus músculos começam a tremer ... Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço. Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas... E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica nas tuas pernas e molha até tuas meias!! Por sorte, não molha os sapatos. Adotar "a posição" requer grande concentração. Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, CÉÉÉÉÉÉOS...! O rolo está vazio...! (sempre) Então você pede aos céus para que, nos 5kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento. Não há opção... E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!!! Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abrí-la novamente (nisso, nós as mulheres nos respeitamos muito) e você pode procurar teu lenço sem angústia. Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo. É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir. Sem falar da porrada que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas... A lembrança de tua mãe, que estaria morrendo de vergonha se te visse assim, porque seu bumbum nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que doenças você pode pegar ali" ... você está exausta. Ao ficar de pé você não sente mais as pernas. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça!... Você, então, vai à pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão. Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água... O secador, você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso. Você então sai. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, e te deixou com o bumbum à mostra! Nesse momento, você vê o teu carinha que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.
"- Por que você demorou tanto?" pergunta o idiota.
Você se limita a responder: "- a fila estava enorme" .
E esta é a razão porque as mulheres vão ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade.
E Obrigada a todas as amigas que já me acompanharam ao banheiro

terça-feira, 3 de novembro de 2009

"Amiga" secreta

Não sei se porque sou a mais velha de 5 filhos e, aí, acabava sendo a que “tomava conta” dos outros irmãos na infância; ou, talvez, pelas circunstâncias da vida....ou até porque sou assim mesmo, coisa de personalidade, sei lá, mas acho que sou um pouco diferente da maioria das mulheres.

Começa pelo básico: não gosto de fazer compras. Fila de shopping, troca-troca de roupas no provador, fila do caixa... tudo isso é pra mim uma tortura que às vezes só não me faz desistir pela necessidade.
Outra coisa: ficar numa rodinha onde o assunto são receitas ou organização de casa me faz ficar impaciente. Dou uns sorrisinhos pra não pensarem que sou uma ETéia ou pra o clima não ficar chato, mas haja paciência pra ouvir que “a mocinha da novela das 8 está grávida e – céos! – o filho não é do marido, e ele pediu um teste de DNA e agora vai abandoná-la, mas isso é bom porque agora ela pode ficar com o “mocinho!””
(Aproveitando, o que aconteceu com aquela época em que o mocinho ERA o marido? )
Voltando ao assunto...(sorry, mas afinal, tenho algumas coisas de mulher, claro! Como, por ex., dar a volta no assunto, falando, falando, ao invés de ir direto ao ponto. Ta vendo? Podia dizer só que sou prolixa, mas aí não seria mulher, né?)...as vezes tenho que fazer coisas que PRECISAM de habilidades (ou saco) que eu sinceramente não tenho.
Exemplo?
Todo final de ano tem o bendito amigo secreto onde o ponto alto são os bilhetinhos.
Em um departamento composto só de mulheres, os bilhetinhos proliferam mais que pernilongo em praia deserta. Pra piorar, no meu departamento 95% da meninada tem “até” 26 anos, e com criatividade compatível com a idade.
Nesse clima eu, a “líder” (porque “chefe” é coisa de troglodita), já nascida quando o homem pisou na lua (ops!), tenho que disfarçar e escrever bilhetinhos no nível dos demais, sob o risco de ser descoberta (e eu morro de medo de ser descoberta. Cada vez que tenho que ir até a bendita caixinha de amigo secreto e colocar meu bilhete sem que ninguém veja, penso em quem foi que inventou essa "benção". Fico estressada como se alguém fosse me pegar roubando, matando ou sei lá...ih...a prolixa de novo...).
O disfarce nos bilhetinhos inclui errar em pontuação e finalizar com “bjokas!”, “bjussss”, “miguxa”, “migaaaaa” e similares.

Ano passado ficava acordada até 1h da manhã fazendo bilhetinho, porque minha “amiga” reclamou que a “amiga dela” (eu) não tava nem aí pra ela porque não mandava bilhetes (e quem é que tem tempo??!!). Aí, comecei a encher ela de bilhetinhos e emails (sim, criei uma conta com meu pseudônimo e mandava emails lá de casa!), porque já estava ficando com fama de “inimiga secreta”.

Agora cá estou eu, de novo, escrevendo os tais e torcendo pra ninguém me pegar lá perto da tal caixinha.
Ass.: Estrelinha de Natal. Bjussssss!